segunda-feira, 10 de agosto de 2020

GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA - Mosteiro de Rendufe - Nova Comédia Bracarense

 


Guerras do Alecrim e Manjerona é uma ópera jocoso-séria da autoria de António José da Silva (O Judeu), apresentada no Teatro do Bairro Alto em 1737. Trata-se de uma peça escrita em prosa, intercalando textos poéticos, sob a influência das comédias espanholas, sobretudo de Lope de Vega. As suas obras, em geral, rompem com os modelos clássicos, procurando inspirar-se no espírito e linguagem do povo, em que o canto e a música surgem como elementos essenciais do espetáculo.
Sendo assim, a intriga desta peça gira em torno de uma disputa estabelecida entre dois ranchos que têm como símbolos o Alecrim e a Manjerona. A ação principia em plena época carnavalesca, colocando em confronto os protagonistas dos dois ranchos. De um lado, D. Fuas que pretende assegurar a mão de D. Nise; do outro lado, D. Gilvaz, que deseja conquistar o coração de D. Clóris. Para tal, os dois fidalgos pelintras contam com o engenho e a arte do gracioso Semicúpio (criado de D. Gilvaz) para levar a cabo os seus intentos. Contudo, as sobrinhas do velho avarento D. Lancerote estão prometidas, pelo menos uma delas, ao primo D. Tibúrcio, um morgado rústico que pelas maneiras e linguagem não colhe os favores das pretendentes. Entre encontros e desencontros amorosos, a peça vai-se desenrolando em palco, cheia de graça e humor, até terminar com um inesperado final feliz, cujas personagens Sevadilha (criada de D. Lancerote) e Semicúpio assumem um papel crucial na condução dos acontecimentos e desfecho das relações, já que também elas são movidas por interesses amorosos.

FICHA ARTÍSTICA:
Encenação I José Manuel Barros
Dramaturgia I NCB (adaptação)
Figurinos I Goreti Abreu
Iluminação e som I Francisca Barbosa
Direção artística I Carlos Barbosa
Elenco I Diamantino Esperança (D. Tibúrcio); Vasco Oliveira (D. Lancerote); Agostinho Silva (D. Gilvaz) António Pimentel (D. Fuas); Helena Guimarães (D. Clóris) Rita Pereira e Sofia Tenreiro (D. Nise); Joshua Swift (Semicúpio); Helena Machado (Sevadilha)
Produção: NCB 2017















A COMÉDIA DA MARMITA (Plauto) - XIV Festival de Teatro Amador Terras de Camilo

 AGENDA MUNICIPAL / TEATRO

A Comédia da Marmita, de Plauto

NOVA COMÉDIA BRACARENSE


XIV Festival de Teatro Amador Terras de Camilo
Auditório do Centro de Estudos Camilianos | 21h30


A peça “ A Comédia da Marmita”, escrita por Plauto, comediógrafo romano (254 a.C. – 184 a.C), é considerada uma comédia de intriga e caráter. Como comédia de intriga, o enredo gira em torno das peripécias e equívocos de Euclião, um pobre velho que um dia descobriu na sua lareira uma marmita cheia de ouro e ficou de tal forma cego por ele que vive atormentado com a sua perda. Por outro lado, esta peça centra-se também na história de amor da filha de Euclião, grávida de Licónides. Os dois enredos desenrolam-se, independentemente um do outro, porém surgem entrelaçados, visto que os incidentes (o roubo da marmita, e a confissão de Licónides) apressam vertiginosamente o seu desfecho. Como comédia de caráter, a peça destaca a avareza de Euclião, um velho desconfiado e de rude trato que tenta a todo o custo esconder o ouro dos olhares mais cobiçosos. Como tal, a sua figura cai no ridículo quando intenta através de diversas artimanhas ocultar o seu tesouro. No fundo, Plauto pretendeu pintar Euclião como uma figura caricata e um pobre diabo que ficou transtornado com a súbita descoberta do ouro.
Assim, neste exercício teatral, adaptado a partir do original da obra de Plauto, o espetáculo decorre com graça e riso, integrando momentos de música e dança, procurando desta forma recriar em palco cenas hilariantes de diversão e comicidade. Neste âmbito, o teatro de Plauto serve-se essencialmente do gesto e da caricatura para provocar efeitos cómicos já que se assume como um teatro voltado para as massas populares com o intuito de arrancar uma boa gargalhada do público. (…)

Organização:
Município de Vila Nova de Famalicão/Divisão de Cultura e Turismo
Grutaca – Grupo de Teatro Amador Camiliano

Colaboração:
Casa de Camilo – Museu / Centro de Estudos Camilianos
Centro Social e Paroquial de Seide S. Miguel
Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco

A COMÉDIA DA MARMITA (Plauto) - Mostra Internacional de Teatro de Pevidém 2020

 

«A Comédia da Marmita» na Mostra Internacional de Teatro de Pevidém


Prossegue esta sexta-feira a mostra internacional de teatro de Pevidém. Um evento que se iniciou em Janeiro e que se prolonga até ao mês de Novembro, numa organização do Teatro Coelima.

No total, são 17 espectáculos nesta mostra internacional de teatro de Pevidém com um cartaz que inclui grupos de várias regiões do País e também da vizinha Espanha que dá um cariz internacional ao evento.

Esta sexta-feira, a Nova Comédia Bracarense vai apresentar "A Comédia da Marmita" de Plauto, espectáculo com início às 22h00, no salão paroquial de Pevidém.

A COMÉDIA DA MARMITA (Plauto) - Braga Romana 2019 - Museu D. Diogo de Sousa

 


A peça “ A Comédia da Marmita”, escrita por Plauto, comediógrafo romano (254 a.C. – 184 a.C), é considerada uma comédia de intriga e caráter. Como comédia de intriga, o enredo gira em torno das peripécias e equívocos de Euclião, um pobre velho que um dia descobriu na sua lareira uma marmita cheia de ouro e ficou de tal forma cego por ele que vive atormentado com a sua perda. Por outro lado, esta peça centra-se também na história de amor da filha de Euclião, grávida de Licónides. Os dois enredos desenrolam-se, independentemente um do outro, porém surgem entrelaçados, visto que os incidentes (o roubo da marmita, e a confissão de Licónides) apressam vertiginosamente o seu desfecho. Como comédia de caráter, a peça destaca a avareza de Euclião, um velho desconfiado e de rude trato que tenta a todo o custo esconder o ouro dos olhares mais cobiçosos. Como tal, a sua figura cai no ridículo quando intenta através de diversas artimanhas ocultar o seu tesouro. No fundo, Plauto pretendeu pintar Euclião como uma figura caricata e um pobre diabo que ficou transtornado com a súbita descoberta do ouro.

Assim, neste exercício teatral, adaptado a partir do original da obra de Plauto, o espetáculo decorre com graça e riso, integrando momentos de música e dança, procurando desta forma recriar em palco cenas hilariantes de diversão e comicidade. Neste âmbito, o teatro de Plauto serve-se essencialmente do gesto e da caricatura para provocar efeitos cómicos já que se assume como um teatro voltado para as massas populares com o intuito de arrancar uma boa gargalhada do público. Para tal, recorre também com frequência ao uso de uma linguagem carregada de termos plebeus, jogos de palavras, ditos jocosos. Neste sentido, as falas desempenham um papel importante na construção das personagens, já que expõe a nu o ridículo do seu caráter. Note-se que a originalidade do teatro de Plauto não se encontra na sua temática nem no desenho de uma intriga complexa, mas decorre do uso prodigioso e diversificado do vocabulário, com diálogos rápidos e ditos jocosos, registos merecedores de um génio cómico. Influenciado por comediógrafos gregos da Comédia Ática Nova e pelo teatro latino e etrusco, Plauto retrata acima de tudo a sociedade urbana do seu tempo inserida em cenários que são apresentados em espaços exteriores (praças de Atenas). Por outro lado, não podemos esquecer a forte influência helénica exercida sobre Roma tão bem retratada nas peças do autor e traduzida nos seus hábitos, costumes, deuses e língua. Neste contexto, o ambiente social e familiar serve de pano de fundo para denunciar a decadência dos seus costumes e valores, sendo escalpelizada pelo autor no sentido de (re)educar a sociedade e alertá-la para uma necessidade de mudança. 

Euclião ………………………..........Manuela Ribeiro

Estáfila………………………………Helena Machado

Fedra……………………………………..Etelvina Sousa

Eunómia…………………………..Helena Guimarães

Licónides……………………………….Vitor Machado

Megadoro………………………………Vasco Oliveira

Pitódico……………………………………Sérgio Coelho

Ântrax……………………………………..Filipe Amorim

Congrião………………………………….Miguel Araújo

Mácio/Estrobilo…………………………Joshua Swift

Vestais: ……………..Helena Guimarães, Helena Machado, Etelvina Sousa, Liliana Braga.

Encenação……………………. José Manuel Barros

Assist. Encenação……………………. Liliana Braga

Figurinos………………………………………….Srª Rosa

Cenografia…………………Diamantino Esperança

Luminotécnica………………….Francisca Barbosa

Sonoplastia……………………José Manuel Barros

Caracterização………………………….coletiva NCB

Direção artística……………… ……Carlos Barbosa


















quinta-feira, 23 de novembro de 2017

GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA - centro cívico de Palmeira - 10º aniversário




A Nova Comédia Bracarense apresentou a peça GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA de António José da Silva (o judeu), no centro cívico de Palmeira, no contexto do 10 Aniversário do centro cívico de Palmeira e Festival de Outono promovido pelo INATEL. A encenação é da responsabilidade de José Manuel Barros.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

1º Concurso Literário Edições Vieira da Silva


Dois contos pícaros da minha autoria publicados neste livro comemorativo do 1º Concurso Literário Edições Vieira da Silva

O MANEQUIM DA SENHORA CLOTILDE
CABRITO ASSADO NO FORNO

«Eram dez horas da manhã quando a notícia correu aos quatro ventos de boca em boca. Lopes, o encarregado-geral da empreitada, havia informado um dos operários que o engenheiro da Câmara oferecia um cabrito assado no forno, no Alívio dos Mortais, caso terminassem a obra naquele dia.
            - Quem paga? – perguntou um dos calceteiros.
            - O engenheiro Morais ou a Câmara Municipal, que interessa!
            - Quem é o engenheiro Morais?! – volveu o homem na sua ignorância.
            - É um novato que chegou aí há instantes a mando da Câmara. Quer mostrar serviço ao superior. Rapazes, é um quilómetro de estrada! Tem de ficar pronto antes de escurecer.
            Feito o acordo, os homens deitaram mãos à obra. Com efeito, ao meio-dia em ponto, tinham empedrado quinhentos metros de estrada. Um feito extraordinário! Nunca em Portugal até àquela data se trabalhou tanto e em tão pouco tempo.
Entraram no restaurante. Eram doze homens para encher uma mesa comprida.
- Este cabrito merece ser regado com um bom vinho! – atirou o engenheiro Morais.
            - Borba! – exclamou Lopes, de pronto.
Comeu-se e bebeu-se ainda melhor. A conversa enveredou para o futebol. Quando lhe perguntaram quem iria ser o novo campeão, o engenheiro Morais não teve dúvidas:
            - O Belenenses!
            A tirada provocou um banho de riso entre os calceteiros e pedreiros.
            - Quem é o senhor Morais? – interrompeu o servente.
            - Eu mesmo! – respondeu.
            - Está um senhor ao telefone. Deseja falar consigo, urgentemente.
E voltou dali a pouco à mesa, mas com o semblante carregado.
            - Então Sr. Morais? – perguntou Lopes, preocupado.
- Recebi uma chamada da Câmara.
           - Não se preocupe, Sr. Morais! – exclamou Lopes. – Vá lá à sua vida que nós cá nos arranjamos.
            E partiu. Vieram as sobremesas para cima da mesa e um cheirinho de aguardente para quem quisesse. Quiseram todos.   
            - É por conta do engenheiro Morais – disse Lopes.
            - Qual engenheiro?! – perguntou o dono do restaurante.
            Lopes telefonou de imediato para a Câmara. Não havia nenhum engenheiro com o nome Morais. Quanto à obra, escusado será de dizer que não ficou pronta nesse fim de tarde. Foram precisos mais dois dias para que o troço estivesse finalmente operacional. Mas nem tudo foi mau. Nesse ano, o Belenenses foi mesmo campeão de Portugal!» 
                                                                                                      
                                                                                      Cabrito assado no forno

«Era uma vez um rapaz conhecido na freguesia pelo «Funga», mas o seu verdadeiro nome era Amaral. Havia quem o apelidasse de Al Pacino, o ator da Hollywood, devido às parecenças na fisionomia. Usava jaqueta preta de cabedal puído, calça de ganga preta, t-shirt preta, sapatilhas All Star pretas. Ganhou a alcunha por causa do pó branco que snifava desde os quinze anos. Quando o produto faltava, Amaral furtava uns quantos rádios. Os episódios sucediam, mas nem sempre o Funga era responsável pelos roubos. Muitas vezes pagava o preço pela fama sem tirar o proveito, acabando na prisão. De cacete em punho, o guarda Sebastião recomeçava mais uma vez o interrogatório:
            - Diz-me lá, ó Funga! O que te deu na mioleira para fazeres aquela gracinha à senhora Clotilde?!
            - Por favor, não me bata, Sr. Sebastião! Fui eu! Fui eu! – suplicava Amaral quase a choramingar.
            - Isso já nós sabemos! – exclamava o guarda Sebastião, desferindo uma valente bastonada no lombo do prevaricador. – É preciso ter muita lata para roubar o casaco à senhora Clotilde e a seguir andar a exibir-se na rua à vista de todos!
            - Tinha frio, Sr. Sebastião – dizia o bardino, gemendo de dor.
            - Ai sim? – Sorria o guarda, apalpando o cacete. – Tenho aqui uma coisa que vai aquecer o lombo! – E o Funga levava mais duas bastonadas nos costados que é para aprender a não mentir.
No dia seguinte, a senhora Clotilde recebeu das mãos do guarda o casaco que lhe pertencia por direito.
            - Fique descansada que o ladrão está na prisão. Pode voltar a pôr a sua peça na montra.
            - Obrigada, senhor Sebastião. Posso fazer-lhe um desconto – acudiu, piscando o olho ao guarda nacional republicano.
            - Agradecido, mas não faz o meu estilo. 
            - Que pena! Ficava tão bonito dentro dele.
Passaram-se três meses. Um novo escândalo rebentou na aldeia, provocando a indignação entre os habitantes. O casaco da loja da senhora Clotilde voltara a desaparecer e, para cúmulo dos cúmulos, o boneco tinha sido profanado. Em letras garrafais podia-se ler no peito do manequim o seguinte trecho escabroso:
            «O guarda Sebastião anda a comer a senhora Clotilde.»
            E no baixo-ventre do modelo, dois rolos de lã, um verde e outro vermelho, pendurados ostensivamente entre as pernas do manequim. No meio, uma gravata amarela a combinar com as cores da bandeira nacional portuguesa.» 

                                                                                   O manequim da Senhora Clotilde 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA - Museu dos Biscainhos (BRAGA BARROCA 2017)

















Guerras do Alecrim e Manjerona é uma ópera joco-séria da autoria de António José da Silva (O Judeu), apresentada no Teatro do Bairro Alto em 1737. Trata-se de uma peça escrita em prosa, intercalando textos poéticos. As suas obras, em geral, rompem com os modelos clássicos, procurando inspirar-se no espírito e linguagem do povo, em que o canto e a música surgem como elementos essenciais do espetáculo.
Sendo assim, a intriga desta peça gira em torno de uma disputa estabelecida entre dois ranchos que têm como símbolos o Alecrim e a Manjerona. A ação principia em plena época carnavalesca, colocando em confronto os protagonistas dos dois ranchos. De um lado, D. Fuas, que pretende assegurar a mão de D. Nise; do outro lado, D. Gilvaz, que deseja conquistar o coração de D. Clóris. Para tal, os dois fidalgos pelintras contam com o engenho e a arte do gracioso Semicúpio (criado de D. Gilvaz) para levar a cabo os seus intentos. Contudo, as sobrinhas do velho avarento D. Lancerote estão prometidas, pelo menos uma delas, ao primo D. Tibúrcio, um morgado rústico que pelas maneiras e linguagem não colhe os favores das pretendentes. Entre encontros e desencontros amorosos, a peça vai-se desenrolando em palco, cheia de graça e humor, até terminar com um inesperado final feliz, cujas personagens Sevadilha (criada de D. Lancerote) e Semicúpio assumem um papel crucial na condução dos acontecimentos e desfecho das relações, já que também elas são movidas por interesses amorosos.  Numa época em que o teatro popular assume uma importância relevante no contexto da crítica social, o texto de António José da Silva pretende denunciar acima de tudo o namoro convencional tão comum praticado no seio das classes superiores (a nobreza e fidalguia decadente), assim como a medicina balofa, carregada de preciosismos latinos e linguagem oca, para além dos vícios e costumes das donzelas e cavalheiros que viam no casamento por interesse uma forma de assegurar a sua sobrevivência. Através de um discurso marcadamente irónico com forte pendor crítico, a peça exibi magistralmente algumas virtudes e defeitos das suas personagens, expondo a ridículo o seu comportamento imoral, com destaque para situações em que o ser e o parecer servem de pretexto para desencadear o cómico e o riso no espectador.
É neste ambiente de farsa, repleto de jogos de engano, disfarce e mal-entendidos, que esta comédia adaptada a partir do texto original do autor sobe ao palco sob a responsabilidade da Nova Comédia Bracarense, procurando uma vez mais, no seu repertório já tão vasto, ir ao encontro do teatro sob a influência da Commedia dell’arte, não só para homenagear um dos vultos maiores da dramaturgia portuguesa, mas também recuperar a melhor tradição do Teatro barroco.
Encenador: José Manuel Barros


D. Gilvaz………Agostinho Couto
D.Fuas…………António Pimentel
D. Tibúrcio…..Diamantino Esperança
D. Lancerote………Vasco Oliveira 
Sevadilha….........Helena Machado
Semicúpio……………Joshua Swift
D. Clóris…………………Helena Guimarães
D. Nise….Rita Pereira/ Sofia Tenreiro

Luz e Som…………Francisca Barbosa
Direção artística……………Carlos Barbosa
Encenação………José Manuel Barros
Figurinos……………Goreti Abreu
Produção……………NCB 2017